Depois de mais de dois anos de desvios forçados pelo entorno da África, o Canal de Suez começa, aos poucos, a reaparecer nas estratégias das grandes companhias de navegação. A reabertura, porém, não é simples, e muito menos imediata.
Desde o fim de 2023, riscos no Mar Vermelho levaram armadores a adotarem rotas mais longas e caras. Com o cessar-fogo firmado em outubro de 2025, algumas empresas passaram a testar um retorno gradual, ainda sob um cenário geopolítico sensível.
Os movimentos mostram leituras diferentes do mesmo tabuleiro:
- Maersk iniciou testes e planeja retomar um serviço semanal ligando Oriente Médio, Índia e costa leste dos EUA.
- CMA CGM adotou postura mais conservadora e voltou a desviar parte das rotas, citando incertezas globais.
- Hapag-Lloyd prefere aguardar, reforçando que o retorno deve ser gradual, com período de transição para evitar gargalos logísticos.
- Wallenius Wilhelmsen segue monitorando o cenário antes de qualquer decisão.
O recado é claro: o Canal de Suez pode voltar a encurtar distâncias, mas o planejamento logístico continua sendo palavra-chave. Custos, prazos, segurança e previsibilidade seguem no centro das decisões.
Visão estratégica: mais do que uma rota, Suez virou um termômetro do cenário global. Quem entende o ritmo dessa transição consegue antecipar impactos em frete, lead time e cadeia de suprimentos.
